A sete dias da votação decisiva do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram nesta noite o primeiro debate presencial frente a frente. Transmitido pela Band, em São Paulo, o encontro foi marcado por um clima ostensivo de tensão, troca de acusações de corrupção e acenos a inquéritos policiais.
O confronto ocorre em um cenário de indefinição eleitoral: segundo a mais recente pesquisa Datafolha, a disputa chega à reta final em empate técnico, com Flávio figurando com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula.
Logo na abertura do primeiro bloco, Lula tomou a iniciativa ao questionar Flávio sobre o motivo de ter sido o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra a ampliação da licença-maternidade para funcionárias públicas.
Em resposta, o senador afirmou não ter restrições às mulheres e rebateu citando a empresária Roberta Luchsinger — que, em entrevista à CNN Brasil, criticou o governo e sinalizou intenção de fechar acordo de delação premiada.
Flávio afirmou que a empresária seria sócia de um dos filhos do presidente. Lula minimizou a acusação e declarou que a situação da empresária é "uma questão da Polícia Federal".
Um dos momentos mais acalorados da noite envolveu o resgate das condenações e prisões da Operação Lava Jato.
Flávio declarou que, entre todos os presentes no estúdio, apenas Lula havia sido preso por corrupção e lavagem de dinheiro, acrescentando que "quem prendeu o presidente estava ali".
A citação foi uma referência direta ao governador eleito do Paraná, Sergio Moro, que acompanhava o debate na plateia ao lado do ex-procurador Deltan Dallagnol.
A presença de Moro no estúdio foi uma estratégia da campanha do PL para provocar o adversário.
Lula cumpriu 580 dias de prisão a partir de abril de 2018 por decisão de Moro no caso do tríplex do Guarujá.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do petista e declarou a parcialidade do ex-juiz nos julgamentos.
A temperatura subiu ainda mais quando Lula cobrou explicações de Flávio sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e mencionou um suposto pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em resposta, Flávio acusou o PT de corrupção e exibiu a palavra "corrupto" escrita na palma da mão, direcionada ao presidente.
Lula reagiu advertindo o adversário sobre pendências judiciais: “Se prepare que sua vida tem muito inquérito”, disparou o petista. Atualmente, o senador é alvo de inquérito na Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro.
As ironias persistiram ao longo de todo o debate.
Em determinado momento, Flávio questionou o motivo de Lula ter obtido a preferência da maioria dos eleitores presos: “Por que 73% dos presidiários votaram em você?”, indagou o senador.
Lula respondeu com uma provocação direcionada à família do oponente: “Quero 100%, inclusive teu pai”, disse, referindo-se a Jair Bolsonaro.
Com ataques pessoais sobrepondo-se ao debate de propostas, os dois candidatos encerram a semana de campanha em busca dos votos decisivos para a eleição marcada para o próximo domingo, 25 de outubro.

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