Juramento do Jornalista

Juro exercer a função de jornalista assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais,através da crítica e análise da sociedade,visando um futuro mais digno e mais justo para todos os cidadãos brasileiros.

Projeto de Resgate Sobre as Corridas de Carreiras e Cancha Reta

Quando era mais nova, assisti muitas carreiras e corridas de cancha reta na Restinga, Zona Sul de Porto Alegre, e algumas vezes na Ilha da Pintada também. 

Mas a primeira vez que assisti uma carreira de verdade, aos moldes de antigamente, foi quando tinha uns 8 anos e lá em Santiago do Boqueirão, nas terras que meu pai nasceu e próximo a fazenda de meu avô. 

As carreiras naquele tempo duravam três dias, foi dessa experiência que tirei uma receita de culinária que virou sensação num Concurso meu como Prenda Regional: o famoso Pastel de Carreira.

Uma iguaria gastronômica tipicamente gaúcha; o pastel característico da região da campanha, era feito de carne de charque e fritado em banha. 

Naqueles tempos não havia luz elétrica no interior das fazendas, ainda se vivia na luz do candeeiro, então se usava o charque nessas ocasiões, porque não estragava. 

A fazenda de meu avô ficava em Monte Alegre, minha avó para esses eventos fazia rapadura de leite, doce muito peculiar naquela região, feito com açúcar mascavo fervido por horas no fogão a lenha até chegar no ponto certo. 

As corridas de cancha reta duravam três dias, e nós crianças, nos divertíamos com nossas fundas  treinando tiro ao alvo num espantalho no milharal. 

Os mais velhos que nós, brincavam com suas espingardas de pressão, fingindo grandes caçadas, ou travavam guerras e lutas de mentirinha por entre a lavoura. 

Naqueles tempos as casas não tinham tramelas, e os cercados existiam só para o gado não fugir. 

Então nós íamos ao lombo do pingo passando em fazenda em fazendo convidando os amigos vizinhos, e reunindo o povo até chegar no local. 

Em cada fazenda que a gente parava o vô apresentava com muito orgulho: "esta é minha neta da cidade, filha do Aguilar - o Magui, o meu filho que é Veterinário". 

E ali ficavam entre um pito de cigarro e outro tomando alguns mates, trocando um dedinho de prosa. 

Em cada fazenda que passávamos, o povo ia se "ajuntando" e cada um levava um "cadinho" de alguma coisa pra todos comer e beber. Lembro muito daquelas roscas de polvilho e as bolachas de maisena, e do hálito ocre de cheiro de canha de pitanga que os homens dividiam entre eles pra beber. 

Quando chegava o fim de tarde, nossas mães nos levavam até o pé da sanga, onde terminávamos de gastar o resto de nossa energia nadando e brincando na beira do rio. 

Depois que nos banhávamos, colocávamos roupas limpas e voltávamos ao acampamento pouco antes do entardecer onde tomávamos um café com leite gordo, comíamos pão caseiro com schimier ou mel, queijo coalho e morcilha. 

Depois desta hora os mais jovens e nós as crianças, sentávamos ao pé do fogo junto aos homens mais velhos. 

Era a hora dos adultos falarem sobre assuntos de alta importância, e nós tínhamos que ficar em silêncio para não ser repreendidos. 

Ficar calado naquela hora era sinônimo de respeito, e de aprender com os mais velhos. 

Ao longe se ouvia o tilintar das panelas e as mazelas das mulheres se revezando no jantar. 

Depois que todos comiam, estendiam as camas no chão, uma ao lado da outra e a gente fazia aquele ritual bonito antes de deitar indo beijar a mão do vô e da vó dizendo: "benção vô, benção vó" e eles respondiam com um bjo na testa e sinal da cruz "abençoado seja meu neto, abençoada seja minha netinha". 

Dá uma nostalgia gostosa de relembrar dessas histórias. 

Se você gostou da minha história e puxou uma ai na sua memória e quiser compartilhar a sua vivência também, mande para o e-mail jornadadeprenda@gmail.com, que publicarei aqui na CND as 5 melhores histórias. 

As 5 melhores e as demais histórias farão parte do projeto de pesquisa "Resgate Sobre as Corridas de Carreiras (corridas de cavalos) e Cancha Reta". 

Não esqueça de acrescentar fotos se tiver para ajudar a compor essa pesquisa e publicarmos aqui neste canal - não esqueça de dizer o ano, onde aconteceu a história vivida e deixar seu telefone para entrarmos em contato posteriormente. 

Créditos de imagem ilustrativa desta matéria, tem por título "Carreirada" do artista plástico Voldinei Lucas. 

Texto: Tanise Ramos Feliciani.

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