Juramento do Jornalista

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Preço Justo X Importação A Gangorra dos Produtores de Leite

O Levantamento de Dados sobre a Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul elaborado pela FETAG-RS e pelos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, apontou um preço médio pago ao produtor no mês de agosto, referente ao produto entregue no mês de julho, de R$1,66 por litro. O estudo revela a valorização do leite coletado no campo nos últimos meses, como também demonstram os dados divulgados pelo CEPEA e pelo Conseleite/RS. 
A variação positiva no início do segundo semestre de 2020 é resultado de um aquecimento no consumo de produtos lácteos impulsionado pelos auxílios emergenciais do Governo Federal e pela desvalorização do Real frente ao Dólar, condição que favorece a exportação e a diminuição do estoque interno. Porém, este último fator também elevou de forma exponencial o custo de produção, estimulado pelos fertilizantes, pelos produtos veterinários e pela ração, esta última que teve o preço elevado em até 22% desde janeiro.
A rentabilidade da pecuária de leite é determinante para que os produtores continuem investindo e produzindo, dado que é uma atividade penosa que exige o trabalho de segunda à segunda, nos 365 dias do ano em horários que iniciam na madrugada e se encerram tarde da noite, muitas vezes em condições climáticas árduas. Ademais, os produtores de leite, assim como produtores de outras cadeias produtivas, necessitam cada vez mais se qualificar na administração da propriedade, na negociação e aquisição dos insumos, em índices zootécnicos do rebanho, em crédito rural e é claro no trabalho do dia a dia.
Resgatando o histórico de rentabilidade dos produtores de leite no Rio Grande do Sul, podemos verificar que há anos este elo da cadeia vem acumulando prejuízos recebendo centavos pelo produto comercializado. Isto, por óbvio, ajuda a explicar a redução drástica de produtores nos últimos 5 anos que ultrapassa os 30.000 de acordo com a Emater. A baixa remuneração recebida, frente ao trabalho e a expertise necessária para ter êxito na atividade, acaba literalmente os expulsando de uma atividade tão necessária, que é responsável pela produção de um alimento que está presente diariamente em todas mesas dos brasileiros e que movimenta a economia de 95% dos municípios gaúchos.
Os dados do Ministério da Indústria e Comercio Exterior (MDIC), revelam que a importação de produtos lácteos está novamente tomando patamares que irão impactar negativamente no preço do leite como foi em anos anteriores. De acordo com o Eng. Agrônomo da FETAG-RS, Kaliton Prestes, “o primeiro semestre de 2020 foi marcado por importações abaixo dos patamares de 2019, contudo, no mês de julho deste ano as indústrias estabelecidas no País importaram 30% a mais que em julho de 2019, sendo que de junho para julho de 2020 houve um aumento de aproximadamente 52% nas importações.” Os dados das importações de agosto são aguardados para confirmar o impacto na cadeia produtiva.
De acordo com o vice-presidente da FETAG-RS, Eugênio Zanetti, “frente a todo este cenário, não se pode admitir retrocessos na cadeia produtiva do leite. Os produtores precisam receber uma remuneração justa pelo trabalho que desempenham e o mercado precisa compreender isso, para que em um futuro próximo, plantas industriais não fiquem ociosas e consumidores não paguem um preço elevado pelos produtos lácteos.” 
Zanneti reforça ainda que “leite importado não gera riqueza aqui, prejudica a economia dos pequenos municípios, ceifa a rentabilidade de pequenas indústrias e cooperativas e ainda prejudica de forma cruel os produtores que lutam para permanecer na atividade. Se o mercado pressionar para reduzir o preço pago ao produtor, os insumos ainda continuarão caros e o prejuízo já e anunciado.

Fonte: Imprensa FETAG-RS

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