O papa Francisco qualificou hoje de "escândalo"
a existência da fome e da desnutrição no mundo e criticou "o consumismo, o
esbanjamento e o desperdício de alimentos" em mensagem enviada ao diretor
da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, por ocasião da Dia Mundial da
Alimentação.
Em sua mensagem, que foi lida hoje durante a celebração
da jornada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e
Agricultura (FAO), em Roma, o papa considerou que um "dos desafios mais
sérios para a humanidade é o da trágica condição na qual ainda vivem milhões de
pessoas famintas e desnutridas, entre elas muitas crianças".
O pontífice convocou todas as partes da sociedade a
"enfrentar juntos" este problema "para conseguir uma solução
justa e duradoura" e para que "ninguém se veja obrigado a abandonar
sua terra e seu próprio entorno cultural pela falta dos meios essenciais de
subsistência".
Francisco ressaltou o paradoxo de como a globalização
revela as situações de necessidade das pessoas no mundo todo, e no entanto
"cresce a tendência ao individualismo" e à "indiferença tanto em
nível pessoal como das instituições e dos Estados em relação a quem morre de
fome ou padece de desnutrição".
"A fome e a desnutrição nunca podem ser consideradas
um fato normal que precisamos nos acostumar, como se fizesse parte do sistema.
Algo tem que mudar em nós mesmos, em nossa mentalidade, em nossas
sociedades", afirmou o pontífice argentino.
Para o papa, é necessário, "hoje mais que nunca,
educar para a solidariedade, redescobrir o valor e o significado desta palavra
tão incômoda, e muito frequentemente deixada de lado, e fazer com que se
transforme em atitude ao fundo das decisões no plano político, econômico e
financeiro, nas relações entre as pessoas, entre os povos e entre as
nações".

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