A atuação de forças de segurança no Viaduto da Conceição, no Centro Histórico de Porto Alegre, voltou a acender o debate sobre a política do Executivo municipal voltada à população em situação de rua e a projetos sociais independentes na Capital. Integrantes e apoiadores do coletivo Cozinheiros do Bem denunciaram constrangimentos durante a tradicional entrega de refeições gratuitas no local, atribuindo o episódio a uma recente investida da gestão do prefeito Sebastião Melo para restringir a distribuição de marmitas na área.
De acordo com relatos de voluntários e lideranças comunitárias, a presença da Guarda Municipal sob o viaduto visava inibir a ação do grupo, que atua no combate à fome há cerca de uma década.
O estopim para a investida da administração municipal seria o plano de instalar uma lancheria em formato de contêiner sob a estrutura do viaduto para a comercialização de alimentos, o que gerou forte reação de entidades sociais e da oposição.
Críticos da medida apontam desvio de finalidade no uso das forças de segurança da cidade. Argumenta-se que o efetivo da Guarda Municipal deveria estar concentrado no combate à criminalidade urbana — como roubos e assaltos —, em vez de atuar no cerceamento de iniciativas voluntárias de assistência social.
O debate também trouxe à tona cobranças sobre as prioridades do governo municipal para a revitalização da cidade.
Críticos sustentam que investimentos comerciais e novos empreendimentos deveriam ser direcionados a regiões com maior necessidade de apoio público e econômico, como o Quarto Distrito, que ainda enfrenta severos impactos decorrentes das últimas enchentes e gargalos em obras de infraestrutura.
A contestação ganha contornos políticos em meio aos questionamentos sobre o orçamento e a remuneração de altos cargos do Executivo — cujo subsídio do prefeito alcança R$ 35 mil —, em contraste com o impedimento de ações assistenciais direcionadas às parcelas mais vulneráveis da população porto-alegrense.
Procurada para esclarecer a operação no Viaduto da Conceição e as diretrizes relativas ao comércio no local, a Prefeitura de Porto Alegre e a Secretaria Municipal de Segurança ainda não emitiram nota oficial sobre os episódios registrados na última noite.
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