Durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL) ontem, em São Paulo — evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência —, o presidente da Argentina, Javier Milei, proferiu duras críticas ao governo e às instituições brasileiras. Além de declarar apoio a Flávio e manifestar confiança em sua vitória contra Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro, Milei chamou o presidente brasileiro de "presidiário" e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, referindo-se a ele como "lixo careca". O argentino expressou indignação por não ter recebido autorização do Judiciário para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar — a quem considera "injustamente preso" —, afirmou que o Brasil caminha para uma crise de dívida, esperando que Lula "pague" nas urnas, e criticou abertamente as políticas de esquerda na América Latina.
O evento contou ainda com uma mensagem em vídeo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizando o lançamento da candidatura de Flávio.
Em resposta, o governo brasileiro convocou para consultas hoje o seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli.
A medida diplomática, que representa um forte protesto contra as ações de outro Estado, foi tomada após o Ministério das Relações Exteriores classificar as falas de Milei como uma "afronta" e um desrespeito ao presidente, ao Judiciário e ao povo brasileiro.
Bitelli deve se reunir amanhã com o chanceler Mauro Vieira.
Avaliada por diplomatas como uma das crises mais graves entre os dois países nas últimas décadas, a situação também pode levar o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, a ser chamado para prestar esclarecimentos.
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