Juramento do Jornalista

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Tradição Forjada a Casco

A polêmica proposta de César Mossini , assessor superior da Prefeitura de Canoas, de substituir animais reais por versões robóticas em rodeios virou tema de música. 
A ideia, que já repercutia na internet após um vídeo mostrar uma vaca mecânica em uma prova de laço, agora foi ironizada pelo premiado compositor gaúcho Thunao Pereira.
Na canção “Tradição Forjada a Casco”, Pereira usa o humor para contrapor a tecnologia às tradições do campo. 
A letra brinca com situações absurdas causadas pela mudança, como:A necessidade de chamar um mecânico em vez de um veterinário para atender o animal eletrônico;
Um churrasco fictício feito com uma "vaca-cyborg", incluindo iguarias como "costela de rolamento" e "cupim de aço temperado";
Um arroz carreteiro adaptado com "porca e arruela".
​A composição utiliza o tradicionalismo gaúcho de forma descontraída para questionar a viabilidade e o impacto cultural da substituição de animais por máquinas nos eventos tradicionais.

Confira a Letra :

TRADIÇÃO FORJADA A CASCO

Mas ouçam só essa prosa,

Que se ouviu assim de repente.

Um vivente engravatado,

Quer mudar o nosso ambiente.

Propõe vaca de computador,

Pra mugir no entrevero.

Substituindo as verdadeiras,

Que é um legado para o campeiro.

Pelo amor de Deus, eu pergunto:

Que mais querem inventar?

Já não basta tanta moda,

Agora vão robotizar?

A tradição foi forjada a casco,

A relincho e a manotaço.

Não de fio nem bateria,

Nem de peça de ferro e aço.

Imaginem só o prejuízo,

Se da pane nesse bicho véio ordinário.

Tem que chamar um mecânico,

Em vez de um bom veterinário.

E depois tem outra pergunta,

Que não quer jamais calar:

O que esse cristão vai comer,

Qual a parte melhor pra assar?

Costela de rolamento,

Cupim de aço temperado,

Linguiça de parafuso

E um pistãozito mal passado.

Num carreteiro desses bichos,

Eu já vejo o resultado:

Charque com porca e arruela,

Prego e ferro enferrujado.

Sou gaúcho da fronteira,

Gosto das coisas como são,

De gineteada, tiro de laço,

Da rodeio e da tradição.

Se inventarem vaca-cyborg,

Eu largo o laço da mão.

E penduro minhas esporas,

Num gancho lá no galpão.

Aposento meus arreios,

Solto o pingo na invernada.

Mas jamais vou correr atrás,

De uma lata véia enferrujada.



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