Confira a Letra :
TRADIÇÃO FORJADA A CASCO
Mas ouçam só essa prosa,
Que se ouviu assim de repente.
Um vivente engravatado,
Quer mudar o nosso ambiente.
Propõe vaca de computador,
Pra mugir no entrevero.
Substituindo as verdadeiras,
Que é um legado para o campeiro.
Pelo amor de Deus, eu pergunto:
Que mais querem inventar?
Já não basta tanta moda,
Agora vão robotizar?
A tradição foi forjada a casco,
A relincho e a manotaço.
Não de fio nem bateria,
Nem de peça de ferro e aço.
Imaginem só o prejuízo,
Se da pane nesse bicho véio ordinário.
Tem que chamar um mecânico,
Em vez de um bom veterinário.
E depois tem outra pergunta,
Que não quer jamais calar:
O que esse cristão vai comer,
Qual a parte melhor pra assar?
Costela de rolamento,
Cupim de aço temperado,
Linguiça de parafuso
E um pistãozito mal passado.
Num carreteiro desses bichos,
Eu já vejo o resultado:
Charque com porca e arruela,
Prego e ferro enferrujado.
Sou gaúcho da fronteira,
Gosto das coisas como são,
De gineteada, tiro de laço,
Da rodeio e da tradição.
Se inventarem vaca-cyborg,
Eu largo o laço da mão.
E penduro minhas esporas,
Num gancho lá no galpão.
Aposento meus arreios,
Solto o pingo na invernada.
Mas jamais vou correr atrás,
De uma lata véia enferrujada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário