Embora a escola tenha apresentado uma estética impecável, o conteúdo foi classificado como "superficial" e carente de rigor litúrgico.
O Batuque gaúcho é uma construção civilizatória única que une nações como Ijexá, Jeje ,Oyo e Cabinda não como foi retratado.
Para os religiosos de matriz africana, elementos sagrados que exigem preceito e fundamentos específicos foram reduzidos a adereços alegóricos de "fácil digestão visual", ignorando a complexidade da fé que sustenta milhares de terreiros no estado.
O Rio Grande do Sul possui, proporcionalmente, a maior população de adeptos de matriz africana do Brasil.
Ao tratar o axé gaúcho como algo "exótico", a Portela teria perdido a oportunidade de realizar um reparo histórico efetivo, tratando a religião apenas como festa e não como a base da resistência de um povo marginalizado no Sul.
Além dos problemas no enredo, a cobertura da Rede Globo foi duramente criticada por "analfabetismo cultural". Segundo o autor, os comentaristas demonstraram despreparo ao utilizar sensos comuns e comparações descabidas, falhando em distinguir as particularidades do Pampa em relação ao Candomblé e à Umbanda do Rio de Janeiro.
Para a comunidade de terreiro gaúcha, o desfile foi visualmente belo para o espectador comum, mas "vazio para o coração do religioso".
O episódio deixa um alerta sobre a necessidade de maior rigor histórico e respeito à ancestralidade quando o centro do país se propõe a narrar as tradições negras do Sul.

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