Juramento do Jornalista

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Carta do Alafim de Oyó pede a preservação do Bará e a Não Privatização do Mercado Publico de Porto Alegre

 

Nesta tarde religiosos de Matriz Africana, reuniram-se para simbólicamente comemorar os 151 anos de fundação do Mercado Publico de Porto Alegre e protestarem contra a privatização do mesmo e entrega do espaço para a iniciativa privada.

Na oportunidade foi lida uma carta do Alafim de Oyó, dirigida a Municipalidade de Porto Alegre pedindo a preservação das tradições africanas, cujo texto esta reproduzido na tradução abaixo e posteriormente será depositada em Memorial no Mercado :

PRESERVAÇÃO DO SÍTIO CULTURAL DO BARÁ

VOSSA EXCELÊNCIA,

EU ESCREVO EM NOME DE SUA MAJESTADE, DR. OBA LAMIDI OLAYIWOLA ADEYEMI III, O ALAFIN DE OYÓ. REI DA RAÇA/TRIBO YORUBÁ, ESTENDEMOS NOSSAS SINCERAS CORDIALIDADES E VOTOS DE VOSSA EXCELÊNCIA.

NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE A CIVILIZAÇÃO YORUBÁ É UM DOS GRANDES LEGADOS HUMANOS DURADOUROS NO MUNDO DE HOJE, COM SEU SISTEMA DE CONHECIMENTO E UMA RELIGIÃO QUE HOJE É AMPLAMENTE ACEITA E PRATICADA NO MUNDO.

COM BASE NA PRESERVAÇÃO DE NOSSO PRATRIMÔNIO E CONSIDERANDO QUE, NO BRASIL, A TRADIÇÃO DA RELIGIÃO DE ORIGEM YORUBÁ (RELIGIÃO DE ORIXÁ) TEM SE SUSTENTADO E RENOVADO POR MEIO DA CONSGRAÇÃO DE POVOS ÀS PRÁTICAS RELIGIOSAS, SUA MAJESTADE DR. OBA LAMIDI OLAYIWOLA ADEYEMI II, O ALAFIN DE OYÓ, CERTIFICA E CORROBORA A IMPORTNÂNCIA DO BARÁ DO MERCADO, LOCAL DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL QUE TESTEMUNHA E PROMOVE A CONTINUIDADE DAS FORMAS DE EXPRESSÃO E RELIGIOSIDADE YORUBÁ EM TODO O OCEANO ATLÂNTICO.

HÁ UM ASSENTAMENTO DE BARÁ DENTRO DO MERCADO PÚBLICO CENTRAL DE PORTO ALEGRE, CAPITAL DO RIO GRANDE DO SUL, NO SUL DO BRASIL. COM TOTAL SEMELHANÇA DOS MERCADOS PÚBLICOS DO CENTRO DA ÁFRICA CENTRAL, EM PARTICULAR OS YORUBÁS, ESSE MERCADO E SEU ASSENTAMENTO COLETIVO É CONSAGRADO À BARÁ, E SITUADO NA ZONA MAIS ANTIGA DA CIDADE, NAS PROXIMIDADES DA SUA PREFEITURA MUNICIPAL. 

EM OYÓ NOSSO MERCADO AKESAN, PONTO DE REFÊRENCIA PARA A HISTÓRIA YORUBÁ, TAMBÉM POSSUI UM ASSENTAMENTO COLETIVO PARA ESÚ BARÁ E TAMBÉM ESTÁ LOCALIZADO PRÓXIMO AO PALÁCIO REAL, MARCANDO O INÍCIO DO POVOAMENTO DESTA LOCALIDADE. EXISTEM OUTROS ASSENTAMENTOS COLETIVOS DESSA DIVINDADE EM MERCADOS PÚBLICOS SITUADOS NA ÁFRICA OCIDENTAL E NA COSTA ATLÂNTICA DAS AMÉRICAS.

O MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE FOI CONSTRUÍDO HÁ 151 ANOS EM SUA ÁREA PORTUÁRIA, AQUELE LOCAL CONCENTRAVA GRANDE QUANTIDADE DE ESCRAVOS AFRICANOS E ERA CARACTERIZANDO PELA CHEGADA DE NOVOS AFRICANOS ESCRAVIZADOS.

DESDE O SÉCULO 19, PELO MENOS, EXISTEM RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS NO RIO GRANDE DO SUL. ELAS TÊM UMA VITALIDADE PROFUNDA EXPRESSA PRINCIPALMENTE POR SEU GRANDE NÚMERO DE SEGUIDORES E TEMPLOS RELIGIOSOS. ESSAS COMUNIDADES(FAMÍLIAS) RELIGIOSAS ADQUIRIRAM UM APRENDIZADO, CONHECIMENTO E ENTENDIMENTO DA RELIGIÃO AFRICANA OCIDENTAL E VÁRIAS PRÁTICAS TRADICIONAIS YORUBÁS, ASSIM COMO OUTRAS TRADIÇÕES AFRICANAS QUE ALI CHEGARAM, NO CONTEXTO DAS ROTAS DO COMÉRCIO DE ESCRAVOS TRAZIDOS DE ÁFRICA E OS QUE JÁ VIVIAM NO BRASIL.

A TRADIÇÃO DO BARÁ DO MERCADO INCORPORA, REUNI E TESTIFICA TODAS ESSAS CONEXÇÕES HISTÓRICAS, FATO QUE DEMONSTRA A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA DO IMPÉRIO DE OYÓ PARA O POVO DE DESCENDÊNCIA AFRICANA DA REGIÃO.

PREOCUPAÇÕES TERRITORIAIS E MEMÓRIAS DOS ANCETRAIS SÃO DIMENSÕES DE IMPORTÂNCIA DECISIVA PARA OS SEGUIDORES DO ORIXÁ EM AMBAS AS MARGENS DO ATLÂNTICO. DADA AS DIFICULDADES QUE OS POVOS DE MATRIZ AFRICANA SUPORTARAM E AINDA RESISTENTES NO BRASIL, E PARTICULAMENTE NO RIO GRANDE DO SUL, O MERCADO, TERITÓRIO ESSE ONDE HÁ O ASSENTAMENTO DE BARÁ DEVE SER RECONHECIDO E PROTEGIDO, FORTALECENDO NOSSAS TRADIÇÕES AFRICANAS QUE FORAM SEPARADAS, ESPALHADAS PELO RIO GRANDE DO SUL. 

EXISTE UMA DÍVIDA HISTÓRICA COM QUEM SEGUROU O COMÉRCIO DE ESCRAVOS E TAMBÉM SUAS CONSEQUENCIAS.

ALÉM DISSO, ESTA É UMA TRADIÇÃO VIVA. NESSE ASSENTAMENTO, ACONTECEM RITUAIS DE PEREGRINAÇÃO, VISITAÇÃO HUMANA, ATRAVÉS DE PONTOS SAGRADOS DE PORTO ALEGRE QUE CONCLUI OS RITOS TRADICIONAIS DA RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA.

SENDO ASSIM, EU FORTEMENTE E SINCERAMENTE RECOMENDO QUE ESTE TERRITÓRIO SAGRADO, QUE TESTIFICA MATERIAL E IMATERIALMENTE A DIÁSPORA YORUBÁ (AFRICANA) NO SUL DO BRASIL, ENTRE OUTROS GRUPOS AFRICANOS DEVE SER RECONHECIDO EM SUAS REGIÕES HISTÓRICAS E MÚLTIPLAS DIMENSÕES HISTÓRICAS; HERANÇA CULTURAL DE UM POVO YORUBÁ NA DIÁSPORA; INSERÍ-LO EM UM SITE DE GRANDE RELEVÂNCIA DENTRO DE UM CONTEXTO CULTURAL MAIS AMPLO, GERADO PELOS SÉCULOS DE COMÉRCIO DE ESCRAVOS, RECONHECIDO E APRECIADO PELA UNESCO COM O PROJETO “ROTA DE ESCRAVO”.

(https://en.unesco.org/themes/fostering-rights-inclusion/slave-route).

POR FAVOR, CUMPRA-SE AS GARANTIAS DESTE MAIS ELEVADO LEGADO CULTURAL.

  

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