Juramento do Jornalista

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Falece o Último Tronco Missioneiro

Faleceu nesta madrugada , o cantor, compositor e violonista Pedro Ortaça, aos 83 anos. 
Ele era o último remanescente vivo dos Quatro Troncos Missioneiros, o lendário quarteto que revolucionou e consolidou a identidade da música nativista e a história das Reduções Jesuíticas no cancioneiro do Rio Grande do Sul.
Pedro Ortaça estava residindo em Ijuí desde março de 2025 para a realização de tratamentos de saúde (diálise). 
Ele vinha enfrentando sérios problemas vasculares e decorrentes da diabetes.
O músico passou por uma cirurgia de amputação de uma das pernas e, infelizmente, sofreu complicações pós-operatórias na UTI do hospital em Ijuí, vindo a falecer após sofrer três paradas cardiorrespiratórias.
O velório inicial e as primeiras homenagens ocorrem em Ijuí, mas também está prevista uma cerimônia de despedida em sua terra natal, São Luiz Gonzaga, no coração das Missões. 
O artista deixa a esposa, Rose Ortaça (sua eterna parceira, a quem dedicou a canção "Companheira"), três filhos também dedicados à música — Gabriel, Marianita e Alberto — e neta
Nascido no Pontão de Santa Maria, primeiro distrito de São Luiz Gonzaga, em 29 de junho de 1942, Pedro Ortaça cresceu respirando a arte de raiz; seu avô era gaiteiro e seus pais também tocavam. 
Ao lado de Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Cenair Maicá, Ortaça formou o grupo dos "Troncos Missioneiros", imortalizado em um disco histórico de 1988.
Enquanto a música regional passava por transformações comerciais, o quarteto fincou o pé na identidade missioneira pura, misturando o orgulho gaúcho com forte teor de crítica social, valorização do homem do campo e resgate histórico das origens indígenas e jesuíticas.
Com mais de 120 composições gravadas, Pedro Ortaça imortalizou clássicos que se tornaram hinos da música nativista:
Timbre de Galo
Bailanta do Tibúrcio
Queixo Duro
Companheira
Sua relevância era tamanha que transcendia as fronteiras do estado. 
Entre suas dezenas de condecorações, destacam-se:
Mestre da Cultura Popular Brasileira (concedido pelo Ministério da Cultura).
Prêmio Vitor Mateus Teixeira (Assembleia Legislativa do RS, 2006).
Doutor Honoris Causa pelas Universidades Federais do Pampa (Unipampa), de Santa Maria (UFSM) e pela Universidade Estadual do RS (Uergs), distinções recebidas entre 2025 e 2026 pelo conjunto de sua contribuição histórica.
Com a sua partida, encerra-se o capítulo físico dos Quatro Troncos Missioneiros, mas a sua voz potente e o timbre forte de seu violão ficam definitivamente gravados na memória e na história da cultura gaúcha.

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